Pular para o conteúdo principal
Hoje pela primeira vez cantamos para a equipe de enfermagem e pacientes a canção Hallellujah, e foi muito bacana. Embora não tenha grandes emoções pessoais com essa música, a abertura de vozes e a forma estética ficou muito bonita e emocionou.
Defino a experiência de hoje de forma sucinta em felicidade e também leve angustia... Me deparei com o momento de recriar canções das quais não me agradam, seja por lembranças ruins, letra depressiva ou a própria harmonia. Definitivamente não gosto da canção Pais e Filhos, do Legião Urbana. O começo da letra me causa incomodo, mas não nego que é uma canção extremamente popular e que trás mensagem positiva sobre a importância de amar. E embora tocar ela não tivesse me agradado no início, pude me restabelecer e superar pessoalmente meus problemas pessoais com essa canção, pra que ela  chegasse ao outro com aconchego e zelo. Tocar a canção "Nothing Else Matters" - Metallica, foi de grande importância pra mim, por proporcionar sorrisos ao nosso paciente e também pela integração com a equipe médica e de enfermeiros que participou de perto desse momento tocando e cantando. Todos os pacientes estavam expressivos na minha perspectiva, quadros mais estáveis e mais sorrisos. I. demonstrava sinais de agradecimento com o polegar e senti muita vontade de chorar enquanto cantávamos a canção "Perdi meu anel no mar, não pude mais encontrar... E o mar trouxe de presente a I. que é pra eu cuidar". Realmente me dei conta da importância e da responsabilidade de cuidar de uma pessoa, e fazer daqueles pequenos momentos uma vez por semana, um diferencial na vida de cada um. Cuidar do bem estar e das emoções dela e de todos os outros, mesmo que por um curto período de tempo, engrandeceu mais uma vez meu trabalho como aprendiz naquele momento. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Apresentação

Meu nome é Juliana, sou estudante do 6º período do curso de Musicoterapia. Busquei o curso por acreditar que a música possa fazer um pouco mais do que ser ouvida. Ela gera emoção, isso todo mundo sabe, mas também nos transporta a outros espaços e tempo, e pode nos transformar. Foi pensando nisso que busquei ir pro estágio na área hospitalar - e também por ser o mais distante da minha busca. Posso dizer que encontro na Musicoterapia muito mais do que procurava. E talvez o mesmo se passe no hospital.

As mocinhas da cidade

Em um atendimento na UTI, uma paciente me chamou a atenção. Nós cantávamos algumas canções para ela, no qual interagia em alguns momentos, olhando para a gente, agradecendo pelas canções, mas ela se encontrava sedada e isso não permitia tanto contato. Entre canções e canções, foi tocado a música "As Mocinhas da Cidade", no momento que começamos a cantar a paciente manteve um contato visual, percebi que seu pé mexia conforme o ritmo da música e  alguns momentos cantava. Com isto podemos observar a questão da identidade da pessoa através da música, por que ela conseguiu se expressar nessa música?, e nas outras poucas interações e impressões ela manteve, talvez como resposta podemos citar a sua identidade sonora ou até mesmo a época em que viveu. Que possamos refletir como as canções chegam para o paciente, ao modo que ele se expresse ao sentir acolhimento na música.

Encontros e Despedidas

Hoje algumas coisas diferentes aconteceram na UTI, como sermos recebidos novamente com um sorriso e expressões de alegria de quem nós vemos frequentemente mas que há algum tempo não nos via. Trata-se de uma paciente que há quatro semanas seguidas encontrávamos dormindo no horário dos atendimentos de musicoterapia, mas que desta vez, pudemos matar um pouco a saudade de interagir musicalmente com ela na recriação de canções folclóricas e, na dedicação de uma canção especial "Leãozinho" ao qual substituímos carinhosamente pelo nome da paciente o trecho da canção que diz "Gosto muito de você". Ao sairmos do seu leito ela nos acompanhou durante todo o tempo que permanecemos atendendo outros pacientes utilizando gestos com as mãos para acenar ao nosso grupo dando um tchauzinho! Outro fato que nos chamou a atenção foi o gesto de carinho de um bilhete pendurado próximo ao leito de outro paciente, com cinco canções escritas, que segundo o enfermeiro, foi elaborado com a